Não existe segundo batismo ou rebatismo. Ele é UM só!

A Igreja Católica batiza crianças para lembrar que as crianças dos Judeus eram consagradas a Deus, sobretudo os primogênitos, pela circuncisão. Na Nova e Eterna Aliança “o Batismo substituiu a circuncisão da Antiga Aliança”, como rito da entrada para o Povo escolhido de Deus. Este batismo é então uma circuncisão nova, que agrega ao novo Povo de Deus (Colossenses 2,11; Efésios 2,11-22) unido à Páscoa de Cristo por esforços e por uma fidelidade generosa. O batizado se prepara para entrar no seu reino glorioso (Colossenses 1,12) e na posse da celeste herança da qual tem as primícias pelo dom do Espírito (2Coríntios 1,22; Efésios 1,14).

Em 1Coríntios 10,2 Paulo mostra que todos os Israelitas foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar (como símbolo do batismo Cristão). Sabemos, porém, que este batismo não aconteceu por imersão, pois os Israelitas, junto com todas as crianças passaram o mar vermelho a pé enxuto, tocando apenas a areia úmida do mar.

Outro texto Bíblico confirmando o Batismo de crianças:

– “Nele também fostes circuncidados com circuncisão não feita por mão de homem, mas com a circuncisão de Cristo, que consiste no despojamento do vosso ser carnal. Sepultados com Ele no Batismo, com Ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos” (Colossenses 2,11-12).

Consta nos Atos dos Apóstolos que São Paulo batizou famílias inteiras. Ora, se foi dito “famílias” é de se supor que havia crianças – considerando-se que, naquela época, as famílias eram muito numerosas – e nenhum deles foi excluído do sacramento ministrado pelo Apóstolo. Conferir Atos 16,14-15.32-33; 1Coríntios 1,16; Atos 9,18-19; Colossenses 2,11-14; Atos 2,38-39; 1Pedro 3,20-21; Atos 16,31-32.

Os protestantes por desconhecerem estas passagens na Bíblia, dizem que a Igreja Católica peca em batizar crianças, porque elas não teriam consciência dos seus pecados e não teriam condições de se arrependerem dos seus atos; por isso deve-se batizar somente os adultos. Os protestantes se baseiam nestas palavras: “Ele percorria toda a região do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para a remissão dos pecados” (Lucas 3,3).

Como esta interpretação está equivocada!

No Evangelho de Lucas, João Batista batizava os que vinham ao seu encontro, mas o batismo não era regenerador já que sua mensagem tinha somente caráter messiânico. O batismo de João era provisório e diferente daquele que o Mestre instituiria. Logo ele anunciaria o batismo definitivo que viria através do próprio Jesus:

– “E João responde: ‘Eu batizo vocês com água, mas chegará alguém mais forte do que eu. Eu não sou digno nem sequer de desamarrar a correia das sandálias dele. Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com o fogo’” (Lucas 3,16)

Além do mais é necessário lembrar que Jesus, não possuindo qualquer pecado, não precisava se arrepender e não necessitava receber o batismo de conversão que João Batista administrava. No entanto, ao entrar no rio Jordão, Jesus deu a força santificadora para toda a água que se utilizaria no sacramento do batismo. Ao ser batizado, Ele assume a missão para a qual o Pai o havia enviado e Ele é reconhecido como Filho eterno no homem Jesus e o verdadeiro Messias: “Tu és o meu Filho amado; em Ti encontro o meu agrado” (Marcos 1,11). Além disso, Jesus recebe também o Espírito Santo em plenitude.

Outra frase utilizada pelos protestantes contra o batismo de crianças, está em Marcos 16,16 que diz: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”. Na primeira parte desta frase, os protestantes dizem que as crianças não tem condições de crer e isso cabe somente aos adultos. E como ficaria a segunda parte: “quem não crer será condenado”? Se a primeira parte deste versículo mostrasse o batismo dos adultos, automaticamente a segunda parte condenaria todas as crianças ao inferno.

Conclusão: O batismo realizado na Igreja Católica está fundamentado na pessoa de Jesus Cristo (Batismo através do Espírito Santo). O batismo nas igrejas protestantes está fundamentado na pessoa de João Batista (batismo de arrependimento). Eis a diferença!

Ao batizar uma criança, a Igreja Católica batiza através do fogo e do Espírito Santo e não por arrependimento, como ensinam os protestantes.

A morte, a miséria, a opressão e a inclinação que todos os homens têm para o mal estão fora da compreensão humana, a não ser que sejam lidos como consequências do pecado de Adão (original). Elas são transmitidas a todos os homens sem distinção. Por causa dessa “certeza da fé, a Igreja ministra o batismo para a remissão dos pecados mesmo às crianças que não cometeram pecado pessoal.” (CIC 403). A fim de clarear ainda mais o tema, não deixando margem para qualquer dúvida, o Catecismo continua ensinando:

Por nascerem com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, também as crianças precisam do novo nascimento no Batismo, a fim de serem libertadas do poder das trevas e serem transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, para a qual todos os homens são chamados. A gratuidade pura da graça da salvação é particularmente manifesta no Batismo das crianças. A Igreja e os pais privariam então a criança da graça inestimável de tornar-se Filho de Deus se não lhe conferissem o Batismo pouco depois do nascimento. (CIC 1250)
A Igreja Católica não é a religião de um livro, mas de uma Pessoa real, concreta: Jesus Cristo, o qual permanece vivo ao longo destes dois mil anos em sua Igreja, que é embasada também na Tradição e no Magistério. Desta forma, “a prática de batizar as crianças é uma tradição imemorial da Igreja. É atestada explicitamente desde o século II. Mas é bem possível que desde o início da pregação apostólica, quando ‘casas’ inteiras receberam o Batismo, também se tenha batizado as crianças” (CIC 1252), é o que continua ensinando o Catecismo da Igreja Católica.

O Batismo é o sacramento da iniciação cristã. Em 20 de outubro de 1980, o Papa João Paulo II publicou a Instrução da Congregação da Doutrina da Fé Pastoralis Actio, justamente sobre o batismo de crianças. Eis:

As palavras… faladas por Jesus a Nicodemos, a Igreja sempre as entendeu assim: ‘as crianças não devem ser privadas do batismo’. Essas palavras têm, com efeito, uma forma tão geral e absoluta que os Padres as retiveram para estabelecer as necessidades do batismo, e o Magistério as aplicou expressamente ao batismo das crianças: também para elas , este sacramento é a entrada no povo de Deus e a porta da salvação pessoal.
Por isso, mediante sua doutrina e práxis, a Igreja mostrou que não conhece outro meio senão o batismo para assegurar às crianças a entrada na eterna bem-aventurança…
Que as crianças ainda não podem pessoalmente professar sua fé não impede que a Igreja lhes confira este sacramento, porque é na própria fé da Igreja que ela as batiza.
Muito importa lembrar, antes de tudo que o batismo das crianças deve ser considerado uma incumbência grave. As perguntas que dela surgem para os pastores podem ser resolvidas somente com uma atenção fiel à doutrina e à prática constante da Igreja.
Concretamente, a pastoral do batismo das crianças deverá inspirar-se em dois grandes princípios:
1- O batismo, necessário para a salvação, é sinal e instrumento do amor da parte de Deus, que nos liberta do pecado original e comunica a participação na vida divina: por si, o dom destes bens às crianças não deve ser adiado.
2- É preciso providenciar garantias para que este dom possa desenvolver-se mediante uma verdadeira educação da fé e da vida cristã, de modo que o sacramento alcance sua ‘verdade’ total. Estas garantias normalmente são proporcionadas pelos pais ou por parentes, ainda que sejam possíveis diversos modos de supri-las na comunidade cristã. Mas se estas garantias não são sérias, poderá haver uma razão para adiar o sacramento; se as garantias são certamente nulas, recuse-se o sacramento.” (DH 4670-4674)
Os sacramentos são “sinais sensíveis (palavras e ações), acessíveis à humanidade atual”. Eles “realizam eficazmente a graça que significam em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo” (CIC 1084). Ora, o batismo é um sacramento e como tal, imprime um caráter indelével, uma marca em quem o recebe. O Código de Direito Canônico em uníssono com a Igreja, o define como:

Cân. 849: O batismo, porta dos sacramentos, necessário na realidade ou ao menos em desejo para a salvação, e pelo qual os homens se libertam do pecado, se regeneram tornando-se filhos de Deus e se incorporam à Igreja, configurados com Cristo mediante caráter indelével, só se administra validamente através da ablução com água verdadeira, usando-se a devida fórmula das palavras.
Cân. 851: A celebração do batismo deve ser devidamente preparada:
2° – os pais da criança a ser batizada, e também os que vão assumir o encargo de padrinhos, sejam convenientemente instruídos sobre o significado desse sacramento e as obrigações dele decorrentes; o pároco, por si ou por outros, cuide que os pais sejam devidamente instruídos por meio de exortações pastorais, e também mediante a oração comunitária reunindo mais famílias e, quando possível, visitando-as.”
Deste modo, a Igreja, que é mãe e mestra da verdade, entende a importância do sacramento do Batismo para a salvação da pessoa e procura garantir os meios necessários para que ele aconteça efetivamente, mesmo que ainda não se entenda a profundidade do que está ocorrendo, o que se dará numa etapa posterior, com a catequese.

Aqueles que não foram batizados, ainda que sejam bebês, encontram-se sob o poder do Inimigo e fora da graça de Deus. A Igreja não poderia deixar de oferecer e ministrar o remédio – o Batismo – a eles garantindo que possam ser contados entre o número dos filhos de Deus.

Os protestantes sempre querem saber onde está a determinação do Batismo das crianças na Bíblia, para eles, o batismo é apenas um símbolo, não muda nada e não arranca a pessoa das garras de Satanás. Para os católicos, porém, o batismo é a porta da salvação, como diz o Código de Direito Canônico, por isso é tratado com a máxima gravidade.

Os pais católicos que entendem a dimensão e a profundidade desse ato cuidam para que seus filhos o recebam o quanto antes. Já para aqueles que acham que é somente mais uma ocasião de festa, esses podem esperar. Mas este, certamente, não é o entendimento católico.