Em 31 de outubro, véspera da Solenidade de Todos os Santos, foi comemorada uma festa de Halloween em uma igreja católica na Itália, indignando os fiéis. Segundo informa o jornal ‘Corriere del Mezzogiorno’, a festa foi realizada na igreja de São Gennaro all’Olmo, localizada no centro histórico de Nápoles, um templo que há alguns anos não estava sendo usado. Embora o templo seja propriedade da Arquidiocese de Nápoles, foi cedido à Fundação Giambattista Vico há aproximadamente 10 anos, quando estava em estado de abandono. Após a publicação de mais de 150 fotos no Facebook dos organizadores (“Valerio’s party & friends”), que logo em seguida foram retiradas, a Arquidiocese de Nápoles, como indica o jornal ‘Il Giornale’, informou por escrito à fundação que o empréstimo para o uso do templo foi cancelado.

Na festa, além de álcool e música, fizeram “paródias da Missa improvisadas no altar principal, jovens fazendo caretas e tirando selfies no confessionário, as imagens dos santos foram usadas ​​como cabides (…) meninas com vestidos provocantes estavam sentadas na balaustrada de mármore em frente ao altar”, assim como a “recriação” de um enforcamento na parte superior do coro, informou o jornal italiano. A igreja, construída no século VI, foi recuperada pela Fundação Giambattista Vico que, segundo o comodato, poderia utilizar o local para atividades sociais e culturais.

O presidente da Fundação, Vincenzo Pepe, enviou uma nota pedindo desculpas à Arquidiocese de Nápoles e assinalou que, quando percebeu o tema da festa, “deveria ter interrompido com o evento”. Pepe disse que os organizadores do evento disseram que na igreja “iam apresentar uma obra de teatro dedicada aos mártires de 99 e a Eleonora Pimentel Fonseca”.

‘Il Giornale’ indicou que o Arcebispo de Nápoles, Cardeal Crescenzio Sepe, ficou indignado com a realização desta festa, pois não sabia nada a respeito.

O que pode ser feito em uma igreja católica?

Em março de 2018, Pe. Valario Pennasso, diretor do escritório nacional para os bens culturais eclesiais e de culto da Conferência Episcopal Italiana, concedeu uma entrevista ao ‘Il Giornale’ na qual indicou que “segundo a Concordata (acordo entre o Vaticano e a Itália), nas igrejas onde ainda se celebram Missas, é bom que não haja atividades diferentes dos cultos”. “Entretanto, pode-se desenvolver atividades que não sejam contrárias à religião e à decência. É importante valorizar as iniciativas e o contexto. Apresentar um livro poderia ser lícito, mas poderia ser inoportuno em um determinado contexto”, explicou.

“Se uma diocese oferece um lugar sagrado em comodato a um determinado sujeito, o contrato estabelecerá o que poderá ou não ser feito”. Por exemplo, ressaltou, “muitas dioceses estabelecem que estas igrejas não sejam usadas para iniciativas políticas, inclusive os salões paroquiais. É melhor evitar escândalos e mal entendidos entre os fiéis”. Se a igreja é dessacralizada, continuou o sacerdote, “as normas estipulam que sejam removidos todos os símbolos sagrados, incluindo se o altar estiver consagrado, porque neste lugar foi celebrada a Eucaristia, que é o mais valioso que temos”.

Sobre a possibilidade de realizar almoços nas igrejas ou usá-las como dormitórios para indigentes, o sacerdote mencionou que “não gostaria que isso se torne uma moda”. Entendamos: uma urgência é uma urgência. Se houver uma calamidade ou uma emergência, se não houver outro lugar onde possam hospedar as pessoas com dificuldades, abriremos todas as igrejas do mundo”.

Fonte: ACI Digital