Sobre o acontecimento da agressão ao cachorro, por um funcionário do Carrefour, o sacerdote escreveu no Facebook:

“Que o cachorro morresse daquela forma, é um absurdo, uma brutalidade sem tamanho. Mostra que muitos humanos ainda não se humanizaram. Porém, essas figuras de Jesus recebendo o cachorro morto no céu, é fantasia! Sei que a sociedade atual não gosta de ouvir verdades, mas saibam que os ANIMAIS NÃO VÃO PARA LUGAR ALGUM APÓS A MORTE. Existe a benção dos animais no dia de São Francisco, existe uma ligação de muitos animais com a liturgia (as ovelhas de Santa Inês, o galo da Missa de Natal, o jumento da procissão de Ramos, os camelos do presépio, a pomba do Espírito Santo, etc). Mas “céu de animais” não existe. Aceitem!”

O que nos diz a Igreja:

No céu a felicidade que teremos consistirá em possuir a visão beatífica, isto é, a visão de Deus. Essa visão que nos dará uma felicidade absoluta e eterna, é uma visão intelectual que só o anjo e o homem podem ter.

Os animais não possuem possibiilidade de conhecimento intelectual. Portanto, eles não podem ir ao céu.

Não se esqueça o que Nosso Senhor Jesus Cristo nos disse que

“não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas” (Mt VII, 6).

E ainda:

“Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães” (Mt XV, 26). 

O escritor inglês G.K. Chesterton costumava dizer que “quando os homens deixam de acreditar em Deus, não significa que eles passam a acreditar em nada; eles passam a acreditar em qualquer coisa”. Uma notícia absurda sobre a cidade italiana de Veneza confirma o pensamento do escritor. Segundo os jornais locais, crianças de 2 à 8 anos teriam sido proibidas de brincar num parque da região de Villa Groggia, após uma madame ter reclamado às autoridades que o seu cão estava sendo perturbado.

O caso, apesar da singularidade, demonstra a situação grave na qual se encontra não somente a Europa, mas praticamente todo o Ocidente. Enquanto o número de animais domésticos cresce, a curva da taxa de natalidade cai vertiginosamente. Neste quadro de ofuscamento da razão e do bom senso se insere o episódio de Veneza que, mesmo sendo excepcional, pode vir a se tornar rotina futuramente: se animais têm os mesmos direitos que o ser humano é lógico supor que em breve poderá se verificar situações em que as exigências de um entrarão em conflito com as necessidades do outro.

Já o então Cardeal Jorge Bergoglio denunciava essa forma de pensamento. Para o futuro Papa Francisco, estava claro que se tratava de um neopaganismo. Em uma entrevista ao canal americano EWTN, o Santo Padre citava uma pesquisa a respeito de gastos supérfluos da sociedade e, em primeiro lugar, estava nada menos que o gasto com “mascotes”. Segundo Francisco, esse tipo de comportamento, que se baseia na compra de afeto, é uma idolatria e caricatura do amor.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que os animais e os recursos da criação estão naturalmente ordenados para o bem comum da humanidade. Apesar de lembrar ser “contrário à dignidade humana fazer os animais sofrerem inutilmente e desperdiçar suas vidas”, o Catecismo também alerta para o perigo de se “gastar com eles o que deveria prioritariamente aliviar a miséria dos homens”. Segundo a doutrina católica, “pode-se amar os animais, porém não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas”, (Cf. CIC. 2418).

Quando a capa de uma revista de grande circulação nacional diz que as mulheres alegremente não almejam mais a maternidade é sinal de que algo muito ruim se passa na cultura do país. Ao mesmo tempo em que se tramitam leis ambientalistas no Congresso, como por exemplo, as que punem por crime inafiançável a quem quebrar um ovo de tartaruga, professores, jornalistas e artistas advogam o aborto por considerar o nascituro apenas um “amontoado de células”. Esta é a consequência de se construir um mundo sem Deus: ele (o mundo) sempre acaba se voltando contra o homem.