Uma ação do Ministério Público pede que a prefeitura remova todos os oratórios instalados em praças públicas da cidade a partir de 1988, e que proíba novas obras do tipo. Comoantecipou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO , o estopim da confusão foi um oratório construído em 2017 na Praça Milton Campos, no Leblon, que fica dentro do condomínio Selva de Pedra, em comemoração aos 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba.

O órgão argumenta que a presença de oratórios em praças públicas fere a laicidade do Estado, garantida pela Constituição. O MP alega que a obra do Leblon, inicialmente, seria uma estrutura temporária, que permaneceria pelo período em que durassem os festejos em torno da santa, de cerca de um mês. A diretora jurídica da Arquidiocese, Claudine Milione, vai recorrer a todos os procedimentos jurídicos possíveis para impedir a remoção dos oratórios. E classificou a ação do MP como um “grave caso de intolerância religiosa”.

Católicos estão se manifestando, mandando e-mails sucessivos ao responsável da ação ( PBFORTES@MPRJ.MP.BR ) pedindo que retroceda em sua ideia.

Padre Augusto Bezerra mandou uma carta aberta para o membro do Ministério Público, Procurador Pedro Fortes, que entrou com a ação:

Mesmo antes da construção do oratório, moradores da Selva de Pedra já costumavam se reunir uma vez por semana para rezar na praça. O encontro, que acontece há cerca de 12 anos, reúne cerca de 20 fiéis. Muitos fazem uma pausa na correria cotidiana para fazer preces. É o caso de dona Rosa Maria, de 70 anos, que desce todos os dias para caminhar na praça e aproveita para orar.

— Quando não desço, eu fico triste. Sou muito devota — diz, emocionada.